Brevíssima Trajetória do Vinho Nacional

Desde a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil trazendo as primeiras videiras, em 1500, até a chegada da Corte real portuguesa ao Brasil, em 1808, a trajetória do vinho brasileiro não foi fácil. Seja por um equívoco dos primeiros colonizadores na escolha das terras para a introdução dos plantios ou, mais tarde, por proibições a favor de interesses econômicos de Portugal, foi só após a chagada de Don João VI e sua Corte que a demanda pela bebida aumentou e pudemos nos livrar de proibições para a produção do vinho brasileiro.

Mas, de lá para cá, ainda assim, foram muitos os entraves até que chegássemos ao vinho brasileiro que conhecemos hoje. Vinhos finos, reconhecidos no mundo todo por sua qualidade e, muitas vezes, premiados. Fazíamos vinho, até então, mas não eram considerados vinhos finos. Na maioria das vezes eram usadas uva Isabel e outras Vitis lambrusca (ambas uvas de mesa) como base para a produção.

Foi só à partir de 1914, que o enólogo italiano Celeste Globbato (agrônomo e enólogo), juntamente com uma equipe de especialistas italianos, contratados pela Escola de Engenharia de Porto Alegre, conseguem implantar melhorias e criar o Manual do Vitivinicultor Brasileiro, que, seguido por produtores interessados em melhorar a qualidade do vinho aqui produzido, transformam a produção artesanal em uma produção com escala industrial.

Depois disso, muita pesquisa foi feita para entender nosso clima e solo e descobrir as castas que melhor se adaptam ao nosso “terroir”. Ainda, por volta de 1970 despertamos o interesse de grandes vinícolas estrangeiras que aqui acabaram por se estabelecer e aproveitamos a oportunidade para aprender também com elas.

Atualmente, o Brasil possui diversos registros no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), de Identificação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO), atestando a qualidade, valorizando nosso vinho e protegendo as regiões produtoras. São elas:

Aprovale (DO Vale dos Vinhedos)

Afavin (IP Farroupilha)

Aprobelo (IP Monte Belo)

Apromontes (IP Altos Montes)

Asprovinho (IP Pinto Bandeira)

Progoethe (IP Vales da Uva Goethe)

Vinhos da Campanha Gaúcha (IP Campanha Gaúcha)

Asprovinho (Altos de Pinto Bandeira) – em estruturação

Vinho de Altitude (Região do Planalto Catarinense) – em estruturação

Vinhovasf (Vale do São Francisco) – em estruturação

Hoje, além das regiões produtoras do sul do país, temos outras regiões produzindo vinhos brasileiros de qualidade como o já também famoso Vale do São Francisco (NE), Nova Mutum (MT), Santa Helena de Goiás (GO), Região Serrana do Espírito Santo (ES), Norte e Sul de Minas (MG), Nordeste e Leste de São Paulo (SP), por exemplo.

Muito se avançou, mas muitos ainda são os desafios que temos que superar. Um dos principais desafios – não é o único – é aumentar o consumo de vinho “per capita” no Brasil que ainda está por volta de 2 litros/ano, enquanto em Portugal, por exemplo, o consumo é de aproximadamente 46,56 litros/ano “per capita”. Também precisamos lutar contra o preconceito de alguns brasileiros sobre a qualidade do vinho nacional e com o governo para diminuir grande carga de impostos que recaí sobre o nosso vinho e sobre toda cadeia produtiva de qualquer produto industrializado neste país.

Que tal na sua próxima compra dar uma chance aos nossos maravilhosos vinhos?

Bibliografia: IBRAVIN, EMBRAPA, Blog/Site Casa Valduga

Rota do Vinho, Caxias do Sul – RS
Foto: Maja Petric (@majapetric)
Foto CV_3
Texto e Post de SORAYA POZO

Publicado por gustavoernandes

Graduado em Gastronomia pela UMESP, Pós Graduado em Gestão Negócios e Serviços em Alimentos e Bebidas pelo Senac, Instrutor Técnico no Instituto Gourmet Brasil, Gestor Negócios na C2C Food Service e Editor do Blog Dom Ernandes Gastronomia, focado em desenvolver e apoiar os negócios em A&B de forma eficiente e rentável, dando a devida atenção ao desperdício de alimentos, sempre com foco em resultados.

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